o vento


O vento sopra
a chama
do candeeiro.

O vento de Janeiro
assobia
nas frestas
da velha porta.

O vento vai ter comigo
à cama
um frio que corta
de manhã cedo.

O vento tenta
voltar as telhas
das casas velhas.

O vento sacode a rama
derruba a fruta
o vento é filha-da-puta!

O vento brame
e ronca também
o vento uiva 
o vento urra
o vento mete medo
o vento faz tremer.

Porém
sem vento 
pra mover a nuvem
ou não chovia
ou não parava de chover.

Zé Varela 
Março de 2025

mudança

 
Nem sempre é muito certo 
aquilo que o povo diz
mas às vezes anda perto
mesmo sem ir à raiz.

É para desconfiar
é saber universal 
que muito tenha que mudar
pra tudo ficar igual.

Nestes tempos turbulentos
todos falam em mudança
mas temos que estar atentos
pra não alinhar na dança.

O pobre vive enganado
ao alimentar esperança
que puxem para o seu lado
os que têm cheia a pança.

Zé Varela 
Março de 2025

na aquacultura


Na aquacultura
não há ditadura
há variedade
de opiniões.

Alguns apregoam
há um mar lá fora
para nadarmos
sem donos
já está na hora
de derrubarmos
os muros 
dos tanques.

Ilusões.

Na aquacultura
não há ditadura
há variedade
de opiniões.

Nunca ninguém viu
esse mar
e a maioria
não quer arriscar
há que respeitar
a democracia.

Na aquacultura
não há ditadura
há variedade
de opiniões.

Fritos
com arroz de tomate
preferem alguns.
Assados na brasa
também tem adeptos.
Assados no forno
não causa transtorno
aos maiores.
Acabarmos
numa caldeirada
é o desejo
de quase todos.

Na aquacultura
não há ditadura
há variedade
de opiniões.

E mais nada!

Zé Varela
Novembro de 2024