o palhaço


O palhaço sabe
não é da piada
que o povo
ri
é de si.

Qual piada
se tantos nem sabem 
s'é pra rir
s'é pra chorar 
o palhaço
não tem nervos
de aço. 

O palhaço
queria
chorar um dia
o povo se queixa
e não deixa.

O palhaço
perdeu o riso 
com a falta de siso
de
alegres alarves.

O palhaço
perdeu a vontade
de rir
ao ouvir 
tanta imbecilidade.

chuva chuvinha


De corações apertados
nos tens trazido
e tu perdida
por outros lados
para aqui esquecidos
e não merecemos.

Não fujas para onde és de mais

e só vais 

fazer mal

volta para aqui

precisamos de ti

por ti ansiamos

e te queremos.


Tu és o licor

o suco da vida

por favor

dá-nos um sinal

e alguma esperança.


Mas o outono é ainda

uma pequena criança

e já se adivinha

uma bela chuvinha

que sejas bem-vinda!


paradoxo


Num reino antigo que acabei de criar
um homem havia com estranhos poderes
diferente de todos os outros seres
com as desgraças costumava sonhar.

Nesse reino distante que ficava perto
sempre amargurado o homem vivia
antecipando os males ele tanto sofria
ansiando sempre por não estar certo.

Mas por sorte ou azar um dia chegou
em que o sonho foi com uma inundação 
e o bom do homem correu a avisar.

O povo, avisado, todo se salvou
pra tão grande alarme o rei não vê razão 
e o bom do homem foi a decapitar.