Sem calor e sem tecto, sem amor, sem amigo,
vagueando sem rumo, sem destino ou abrigo,
e o frio chega aos ossos, é serão de Natal,
tentando encontrar uma tasca com gente.
Bate à porta onde ao fundo umas vozes soavam
Bom Natal para todos os que ali se encontravam,
um homem assoma para lá do quintal,
onde posso encontrar uma sopinha quente?
Recua aos berros saindo dos trilhos,
vá comer à sua casa e com os seus filhos!
ruge o bruto sentado à sua mesa farta.
Sabe o senhor desde quando eu labuto?
e já agora um respeito para com o meu luto,
um natal feliz e vá prò raio que o parta!
tudo o que aqui publico é de minha autoria e nada do que aqui lemos aconteceu; mas tudo poderia ter acontecido, nem que fosse nos sonhos dos personagens
o espírito de natal
o petricor
Palavrão desconhecido,
mas que a toda a gente
vai de certeza agradar.
Se na terra ressequida
de repente,
do céu começa a pingar
o suco da vida.
de repente,
do céu começa a pingar
o suco da vida.
Esse olor antigo
que se alevanta do chão
e nos preenche o sentido.
que se alevanta do chão
e nos preenche o sentido.
Não há prazer maior,
tens que me dar a razão,
que sentir o petricor.
tens que me dar a razão,
que sentir o petricor.
o bufo
Tinhas tudo pra trás e um ror por diante
Na preguiça ficou todo o viço e a fé
E assim se foi uma carreira brilhante
N'água turva e no lodo já perdeste o pé.
Dos outros esperas apreço e respeito
Aos outros não dás mais do que traição
Queres o brilho a vir de qualquer jeito
Inda que para tê-lo caias na delação.
O teu fulgor é baço, nada que se veja
E o rancor afogas num mar de cerveja
Já és um farrapo e já nem tens tomates.
Nunca dos nuncas mais que bufo serás
Já não é possível, não se volta atrás
Melhor que te atires ao mar e te... cates.
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